O perigo está no cocho
out 31st, 2009 | By Ricardo Ribeiro | Category: Manejo e Sanidade
No chão das granjas há de tudo. Madeira picada, casca de amendoim, ração, casca de arroz, palha e fezes. Milhões de pisadas dos frangos vão formando uma espécie de cama que necessita ser trocada anualmente. O problema reside justamente no reuso desta cama de frango. Como há muitos resquísios de ração, o produto é cobiçado por pecuaristas iludidos pela rápida engorda do gado através da mistura no capim ou pura mesmo. Mas, o tiro pode sair pela culatra. O conhecido chocolate do boi tem muita ração de frango e um dos componentes é a farinha de carne e osso. E justamente este tipo de produto traz um grande risco de contágio pela doença da vaca louca. Isso porque a farinha é feita de outro bovino.
Caso tenha sido abatido no momento em que estava contaminado, existe a possibilidade de disseminação da doença. Apesar do Brasil não ter o registro de nenhum caso, há rebanhos importados de países europeus onde a vaca louca já deixou muita gente de cabelo em pé. A preocupação reside na ausência de conscientização por parte de muitos criadores. Apesar da proibição do uso da cama de frango pelo Ministério da Agricultura desde 2001 e do uso da
farinha de carne desde 1996, ainda é comum observar propriedades rurais adotando o mecanismo na engorda do gado. E a atração não acontece apenas em razão do aumento do peso, principalmente nas épocas de seca. A cama de frango – uma espécie de farinha – tem um preço acessível e uma tonelada sai por 70 reais. Com isso, o produtor gasta menos, pois economiza com o pasto ou construção de silagem. Por trás do resultado rápido há o perigo. O alimento oriundo do subproduto contém gordura e proteína de origem animal. O agente que provoca a doença da vaca louca também é uma proteína modificada altamente resistente, que não é destruída no processo de produção da farinha. Com isso, o mesmo produto que agrada tanto pelos olhos de quem vê pode transmitir a doença nos campos do Brasil através de uma simples lambida, principalmente por parte de bezerros. Preocupados com a situação, fiscais do Ministério da Agricultura ampliaram as fiscalizações para combater o uso da cama de frango. Os produtores que continuam utlizando a perigosa prática estão ferindo o código Penal e Civil contra a saúde pública. Podem responder ação criminal e até serem detidos por um ano, sem falar no pagamento de multas que giram de 50 a 60 mil reais. Uma alternativa para o uso da cama de frango é como fertilizante, mas ainda há pouca demanda. Caso você observe a utilização irregular faça uma denúncia no site www.agricultura.gov.br, clique em ouvidoria ou no fone: 0800 70 41 995.
Muito bom o artigo.
Oxalá as pessoas competentes, no caso, tivessem compromisso sério com a saúde pública e individual.
A cada um de nós cabe a mobilização, a denúncia.