Condições prevalecentes entre o nascimento e o alojamento dos pintos
jan 23rd, 2010 | By Ricardo Ribeiro | Category: Manejo e Sanidade
O incubatório, como fornecedor de pintos, tem a responsabilidade de oferecer pintos de qualidade aos produtores para maximizar o desempenho das aves a campo. Em parte, tal qualidade depende de fatores externos, que são de responsabilidade das granjas de matrizes, porém, outros fatores são inerentes as atividades do incubatório, entre eles: o manejo e tempo de estocagem dos ovos, manejo de incubadoras e nascedouro e condições de manejo do nascimento ao alojamento dos pintos. A característica do ovo, o manejo pré-incubação, o tempo de estocagem e as condições de incubação interferem no período de incubação e na qualidade do pinto ao nascer. A manutenção da qualidade pós-nascimento também dependerá do manejo dos pintos no incubatório e na distribuição. Todos esses fatores afetam o tempo de jejum do pinto, fator importante para garantir o bom desempenho do lote a campo. O objetivo deste artigo é esclarecer os técnicos e produtores comerciais de pintos de um dia sobre a influência das condições prevalecentes entre o nascimento e o alojamento dos pintos, sobre a qualidade dos pintos, fator determinante para desempenho do lote.
Tempo de incubação
O atraso ou prolongamento do tempo de incubação pode reduzir a eclodibilidade quando o manejo estabelece a retirada num tempo pré-fixado. A extensão do período, com vista a otimizar a qualidade do pinto no nascimento ou alojamento, ganhou maior atenção com a determinação dos efeitos negativos nos parâmetros de performance pós-nascimento, decorrentes do atraso no fornecimento de ração e (ou) água. Ao nascerem, os pintos podem utilizar as reservas contidas no saco vitelino residual, embora o uso da gema seja retardado quando estes estão em jejum. O desenvolvimento do sistema gastrointestinal é retardado sobre condições de jejum, podendo estar relacionado com o atraso na utilização da gema. Com o metabolismo mais baixo, ocorre atraso na maturação do sistema enzimático que controla o metabolismo, isto é, o sistema de desiodonização e a ativação do caminho doT3; podendo retardar o desenvolvimento do sistema imune da ave. Além disso, a reserva de imunoglobulina G (IgG), fornecida pela gema durante o primeiro dia após eclosão, será menor. Em condições práticas, muitas vezes, os pintos têm acesso a alimentação somente 36 a 48h após o nascimento e durante tal período o peso corporal reduz rapidamente. A correlação, em média de 0,24, entre peso do ovo e tempo necessário para a eclosão tem demonstrado, de maneira geral, tendência positiva, entre e dentro das espécies. Em linhagens comerciais de aves para corte tem-se verificado inconsistência nessa correlação, devido aos efeitos entre e dentro de linhas. A seleção para peso corporal juvenil resulta em resposta correlacionada no tempo de incubação, sendo que, a correlação entre tais características, citadas na literatura, está entre 0,10 e 0,21; enquanto a herdabilidade para tempo de incubação está entre 038 e 0,58.
Os ovos mais pesados, dentro de linhagem, necessitam de mais tempo para eclosão, independentemente do sexo do embrião, sendo que os machos têm eclosão mais tardia e apresentam maior peso ao nascer. A correlação entre o peso do pinto ao nascer e o tempo de eclosão, apresentados na literatura, está entre 0,20 e 0,30. Considerando que o peso do pinto está correlacionado com o peso do ovo, a equalização do peso do ovo poderia ser uma prática para homogeneizar a ordem de nascimento e, conseqüentemente, através de uma logística mais adequada de incubação e distribuição dos pintos, reduzir o impacto do tempo de jejum sobre o desempenho do lote a campo. Existe um intervalo entre 24 e 36 horas entre a incubação tardia e precoce, que é influenciado pela heterogeneidade dos ovos. Ovos de matrizes velhas e ovos pequenos, dentro do mesmo lote, eclodem mais cedo do que ovos oriundos de matrizes mais jovens e maiores. A incubação simultânea de ovos, que exige diferentes condições ou tempos de estocagem, associado com variações nas condições ambientais na incubadora (exemplo: gradiente de temperatura), pode afetar o período de incubação, aumentando o número de pintos mantidos em período de jejum prolongado. Outro aspecto a considerar é o tempo entre o nascimento e alojamento dos pintos que, alia do às condições de transporte, pode determinar um período de jejum adicional. Considerando a existência de correlação entre o peso do ovo com o peso do pinto e a quantidade de gema residual, existe a necessidade de alojamento tão rápido quanto possível de pintos de um dia. Portanto, a logística de distribuição de alojamento deve considerar esta situação, reduzindo o estresse das aves nesta fase inicial, evitando transtornos no desenvolvimento em nível de campo. O período e as condições de estocagem dos ovos pré-incubação têm efeito mais significativo sobre o tempo de incubação do que o peso inicial dos ovos. Alguns trabalhos têm demonstrado que o prolongamento do tempo de estocagem aumenta o tempo de incubação e o peso do pinto ao nascer. Tal conclusão parece inconsistente se for considerada a expectativa de perda do peso do ovo durante a estocagem e o efeito do aumento da perda evaporativa, decorrente do maior intervalo de incubação. Contudo, vários trabalhos demonstram que os embriões de ovos estocados de 7 a 14 dias são menores do que aqueles não estocados. Na avaliação dos embriões, foi verificado maior conteúdo de água e taxa de crescimento durante as duas últimas semanas de incubação para ovos com períodos mais prolongados de estocagem. Por outro lado, embora se tenha uma variabilidade grande nos resultados apresentados na literatura, na maioria dos casos, o prolongamento do tempo de estocagem tem demonstrado efeito adverso no peso da ave à idade de abate.
Condições ambientais na sala de pintos
As aves são animais homeotermos com centro termo regulador no sistema nervoso, que tem a capacidade de regular a temperatura corporal. Este sistema é pouco desenvolvido nas aves, tornando-as sensíveis ao frio quando jovens e ao calor quando adultas. O hipotálamo funciona como termostato fisiológico, controlando a produção e dissipação de calor através do fluxo de sangue na pele (vaso-motor), mudança na freqüência cardíaca e respiratória, mudança na taxa metabólica etc.. Para cada espécie animal existe uma faixa de temperatura de conforto, conhecida como zona termoneutra ou zona de conforto térmico, que é definida como a faixa de temperatura ambiente efetiva, onde o desempenho é maximizado. Tempera turas abaixo ou acima de tal faixa determina, respectivamente, a necessidade de produção ou dissipação de calor, para manter a temperatura corporal constante. Com base na produção de calor (BTU), nas exigências de O2 e no volume de CO2 expelido pelo pinto, em diferentes temperaturas ambientais, conclui-se que a zona de conforto para os pintos de um dia se situa na faixa de 33 a 36oC, quando ocorre menor produção de calor e CO2 e menor necessidade de ar para satisfazer as necessidades do indivíduo. A renovação e distribuição do ar na sala de pintos deve receber atenção especial, pois deve proporcionar conforto térmico e não permitir a desidratação. A renovação do ar pode variar de 30, para regiões frias, até 60 trocas/h em regiões quentes e úmidas, principalmente considerando a densidade de pintos/m2. A temperatura deve estar entre 22 a 28oC, pois estudos têm demonstrado que a temperatura dentro da caixa onde se encontram os pintos fica de 6 a 8oC acima da temperatura ambiente. A umidade relativa deve ficar ao redor dos 60%.
De maneira geral, o sexo não afeta o peso total ou da carcaça do pinto na eclosão, indicando que ambas, relação peso do pinto e do ovo e a porcentagem peso da gema e do ovo, são independentes do sexo. Porém, quando o peso do ovo é corrigido ou equalizado verifica-se a existência de dimorfismo sexual, com superioridade para os machos. Esta diferença tem sido atribuída a maior eficiência de utilização dos nutrientes do ovo pelo embrião macho. A relação macho/fêmea na eclosão não apresenta relação com o peso do ovo, porém, alguns trabalhos observaram menor porcentagem de machos eclodidos de ovos maiores. Os embriões fêmeas apresentam maior precocidade, portanto, requerem períodos de incubação mais curtos para eclodirem, permanecendo mais tempo na máquina de eclosão, sofrendo, assim, maior desidratação. Em média, embriões fêmeas eclodem 3 horas mais cedo que os machos. Mas, quando os ovos são submetidos a longos períodos de estocagem, o efeito do sexo no tempo de incubação é eliminado. A estocagem de ovos por 14 dias pode elevar o período de incubação em 13, 14 horas. De maneira geral, a influência do sexo depende do tempo de estocagem, da linhagem e do peso do ovo, sendo que estes fatores, na maioria das vezes, não são independentes.
Considerações finais
As diferenças, dentro de uma mesma incubação, no tempo de estocagem, no manejo dos pintos pós-nascimento e na logística de alojamento afetam a qualidade do pinto e, portanto o desempenho dos lotes. A equalização dos ovos, considerando a idade da matriz, o lote e, em última instância, o peso do ovo, pode uniformizar o tempo de incubação, reduzindo o tempo de jejum. Tais práticas melhoram a uniformidade dos lotes, elevando o desempenho zootécnico. O manejo adequado, aliado à manutenção das condições ambientais da sala de pintos, garante a manutenção da qualidade pós-nascimento. Pôr último, a logística de alojamento deverá considerar todos os fatores anteriormente citados, reduzindo ao máximo o tempo de jejum das aves.
Gilberto Silber Schmidt
schmidt@cnpsa.embrapa.br
Boa Noite! Estou com uma dúvida muito importante, por exemplo o pintinho no incubatorio está sendo expedido com peso médio de 45,5 gr aparentemente ok, mas apartir das 8 hrs de alojamento até 6 dias altos índices de eliminação por desidratação, quais são as causas que podem levar a isso? Obs. o parceiro criador aquece a cama 48 horas antes numa tem[peratura média da cama de 30 C e do ambiente 33 C, por favor preciso muito desta ajuda de vocês. Obs.: e exames laboratoriais indicam sem contaminação ou doença aparente.
Fico no aguardo!
Olá,
gostaria de saber qual a taxa de sobrevida. Por exemplo, dos ovos incubados, quantos morrem antes de eclodir?
Obrigada